Especialistas alertam para a persistência da desigualdade na educação brasileira, onde a aprendizagem ainda reflete a herança de classe. A “naturalização das desigualdades” é apontada como um entrave fundamental a ser superado para garantir um futuro mais equitativo para crianças e jovens.
Dados recentes revelam disparidades alarmantes: em 2023, apenas 2,4% dos jovens mais pobres do 3º ano do ensino médio alcançaram aprendizado adequado em matemática e português, contrastando com 16,3% entre os mais ricos. Essa diferença gritante demonstra como a educação, lamentavelmente, ainda não é um direito universalmente garantido.
A questão racial e a situação das áreas rurais são focos de preocupação. A população negra enfrenta desvantagens inaceitáveis, enquanto o fechamento de escolas no campo, cerca de 16 mil entre 2014 e 2024, impacta o acesso à educação para a população rural, fomentando a concentração de terras e prejudicando a agricultura familiar.
Apesar dos desafios, o Brasil alcançou avanços significativos na inclusão, com altas taxas de matrículas na pré-escola e no ensino fundamental. Em 2024, quase a totalidade (97,6%) dos jovens de 11 a 14 anos estavam matriculados nos anos finais do ensino fundamental, um aumento considerável em relação a 2014.
No entanto, persistem carências importantes, como financiamento adequado, valorização da carreira docente e reconhecimento da diversidade regional. A alta proporção de professores com contratos temporários (49% nas redes estaduais) compromete a continuidade e a qualidade do ensino.
É crucial que a política educacional brasileira reconheça a diversidade regional como um ativo, em vez de buscar uma padronização que ignore as particularidades locais. A igualdade deve coexistir com o respeito às diferenças, garantindo que todos os estudantes tenham a oportunidade de desenvolver seu potencial máximo, independentemente de sua origem ou condição social.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








