Desigualdades regionais marcam a infraestrutura das escolas públicas no Brasil, revelando disparidades no acesso a serviços essenciais como esgoto, coleta de lixo, água potável e energia elétrica. Um levantamento recente aponta que, embora a maioria das escolas conte com itens básicos, o acesso à rede pública de esgoto é precário: menos da metade (48,2%) das unidades escolares está conectada. A coleta de lixo também apresenta deficiências, com mais de 20% das escolas sem o serviço.
A análise regional expõe contrastes gritantes. No Norte, apenas 9,3% das escolas públicas possuem conexão à rede de esgoto, enquanto no Nordeste o índice chega a 30,8%. O Sudeste se destaca com 84,7%, seguido pelo Sul (56,9%) e Centro-Oeste (47,8%). A situação da coleta de lixo é igualmente preocupante no Norte, onde mais da metade das escolas (54%) não contam com o serviço, em comparação com quase todas as escolas do Sul (97,2%) que o possuem.
A falta de infraestrutura básica impacta diretamente as condições de aprendizado dos estudantes, conforme especialistas. Em algumas regiões, a situação é crítica, com escolas sem água potável, energia elétrica ou banheiros adequados.
Além da infraestrutura básica, o estudo revela desigualdades na disponibilidade de equipamentos voltados ao ensino. Bibliotecas e salas de leitura são mais comuns em escolas de ensino fundamental (anos finais) e ensino médio do que nas de anos iniciais. Laboratórios de informática e ciências também apresentam distribuição desigual entre as etapas de ensino e regiões do país.
A conectividade à internet também é um ponto de atenção. Embora a maioria das escolas públicas tenha acesso à internet (95,4%), apenas 44,5% possuem conexões adequadas para uso pedagógico em sala de aula, o que limita o aproveitamento da tecnologia no processo de ensino-aprendizagem.
Os dados apontam para um longo caminho a percorrer para garantir uma educação pública de qualidade e com equidade no Brasil. A falta de infraestrutura básica e de equipamentos adequados, aliada à baixa aprendizagem em áreas como matemática e língua portuguesa, exige políticas públicas que considerem as desigualdades regionais e socioeconômicas para alcançar metas ambiciosas e realistas para a educação nos próximos anos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br









